domingo, agosto 03, 2008

Antes de Partir


Antes de Partir (“The Bucket List”, EUA, 2007, dir.: Rob Reiner) é simplesmente um daqueles filmes bonitos; que em primeiro momento não chamam muita atenção, parecem não querer dizer muita coisa, mas se a gente passar pela experiência de assistir a eles com atenção, sairemos inesperadamente transformados. A história e as imagens misturam o grande e o pequeno de uma maneira que cabe perfeitamente no coração humano. O comum e o raro, o pobre e o rico, o vivo e o morto, o velho e o novo, o bom e o mal, o alto e o baixo, o presente e o passado, todas essas coisas não se agitam em tensão (como geralmente acontece), mas bailam gentilmente, de mãos e almas dadas, até que se encerre a música. Música da vida. Há filmes cuja experiência de ver lembra a experiência de ouvir alguma música (que nunca se sabe qual é).

Não se tratam de filmes musicais, mas filmes cuja melodia está no roteiro, na fotografia, na montagem, filmes com uma personalidade musical, digamos assim. Antes de Partir é um desses pequenos grandes filmes. Seria, é claro, a maior das banalidades dizer que esta fita é um elogio à vida, uma declaração de amor à vida, à amizade, ao mundo, uma fita que mostra a terceira idade com dignidade, o como que a vida só acaba quando se morre, que o importante é ter o espírito jovem e nunca desistir dos seus sonhos, nunca é tarde pra (re)começar, que nunca se deve desistir de lutar contra as adversidades, etc (nossa, isso parece sinopse de contra-capa de DVD). Mas o filme não tem nada do épico sentimental que tais palavras podem sugerir. Ele não é piegas de maneira alguma – eis sua grande qualidade: pegar um tema assim e tratá-lo de maneira bem sutil e com classe.

Para ser franco, este filme não tem nada de mais. Por isso é que ele é interessante. Não estará, nem de longe, entre as melhores produções do ano, da década, etc. Mas é um belo filme, para ser ver numa tarde de domingo – sem qualquer desqualificação relativa ao contexto. E a dupla Jack Nicholson / Morgan Freeman funcionou muito bem – apesar de, ou talvez por, serem atores tão diferentes na escolha de papéis. Nicholson é sempre o “bad mothafocka”, enquanto Freeman se faz incondicionalmente de bom velhinho, companheiro, condescendente, gentil – ele já foi até Deus... (em “Todo Poderoso”). Os diálogos entre os dois ficaram muito bem afinados, um “tour de force” bastante sutil. Enfim, não é um filme para ser lembrado eternamente, mas não será também logo esquecível.

3 comentários:

Johnny Strangelove disse...

Ainda não vi o filme ... A critica fica rachada, o publico também, mas você dizendo isso. Posso ficar um pouco mais tranquilo ... e você pode se surpreender com Freeman em O Procurado ...

abraços

André Renato disse...

Verei "O Procurado", então!

Abraços!

Blog do Fer disse...

Antes de Partir é o típico filme em que todo o enredo cai sobre os protagonistas, e os caras dão um show! Belo filme!