segunda-feira, julho 28, 2008

Casablanca


O que é que pode ser dito de Casablanca (EUA, 1942, dir.: Michael Curtiz)? Qualquer tentativa de racionalização incorrerá inevitavelmente na diminuição da experiência singular de se entrar em contato com esta obra-prima. Casablanca é um filme para ser sentido no fundo dos nossos corações, uma das obras mais sensíveis e epifânicas do Cinema. Não preciso dizer que é um clássico absoluto por orquestrar soberbamente quase todas as dimensões da vida humana: a amorosa, a íntima (psíquica), a social e a histórica (principalmente esta última). Usando, para isso, os melhores recursos da expressividade do cinema, em todos os seus componentes: a fotografia (noir), a montagem (que realiza à perfeição o padrão da “imagem ação” que define o cinema norte-americano), o roteiro (um dos melhores de todos os tempos, se não o melhor; a agudeza das falas – principalmente das de Humphrey Bogart –, o encadeamento dos diálogos, a progressão narrativa, a tensão entre os personagens e as situações, e principalmente o final são inesquecíveis; e dão assunto para muita conversa).

Mas também a trilha sonora (quem se esquecerá de “As Time Goes By”?) e a sua incrível função dramática e narrativa, assim como o elenco (além de Bogart, iluminam o filme Ingrid Bergman, Paul Henreid, Claude Rains, Conrad Veidt e Peter Lorre), contribuem profundamente para a grandeza do filme. Assistir a ele em 1942 deve ter sido uma experiência particularmente entusiástica, visto que foi produzido no calor dos acontecimentos da II Guerra Mundial. Casablanca ganhou três Oscars: melhor diretor (para Michael Curtiz), melhor filme e melhor roteiro (para Julius J. Epstein, Philip G. Epstein e Howard Koch, que adaptaram a peça teatral escrita por Joan Alison e Murray Burnett); e foi indicado para os prêmios de melhor ator (Bogart), melhor ator coadjuvante (Rains), melhor fotografia, melhor montagem e melhor trilha sonora. Casablanca é filmoteca básica para qualquer cinéfilo, elemento fundamental na formação de qualquer amante e (ou) conhecedor da Sétima Arte. Um filme que nos dá tanto vontade de nos apaixonarmos quanto de mudar o mundo. Amor e Causa, eis a combinação perfeita.

RICK:
Last night we said a great many things. You said I was to do the thinking for both of us. Well, I’ve done a lot of it since then and it all adds up to one thing. You’re getting on that plane with Victor where you belong.

ILSA:
But Richard, no, I, I...

RICK:
You’ve got to listen to me. Do you have any idea what you’d have to look forward to if you stayed here? Nine chances out of ten we’d both wind up in a concentration camp. Isn’t that truth, Louis?

RENAULT:
I’m afraid Major Strasser would insist.

ILSA:
You’re saying this only to make me go.

RICK:
I’m saying it because it’s true. Inside of us we both know you belong with Victor. You’re part of his work, the thing that keeps him going. If that plane leaves the ground and you’re not with him, you’ll regret it.

ILSA:
No.

RICK:
Maybe not today, maybe not tomorrow, but soon, and for the rest of your life.

ILSA:
But what about us?

RICK:
We’ll always have Paris. We didn’t have, we’d lost it, until you came to Casablanca. We got it back last night.

ILSA:
And I said I would never leave you.

RICK:
And you never will. But I’ve got a job to do, too. Where I’m going, you can’t follow. What I’v got to do you can’t be any part of. Ilsa, I’m no good at being noble, but it doesn’t take much to see that the problems of three little people don’t amount to a hill of beans in this crazy world. Someday you’ll understand that. Now, now...

RICK:
Here’s looking at you, kid.

6 comentários:

Luiz disse...

Olá,

Gostei do texto. Casablanca permanece intocável.

Você já o viu ou gostaria no cinema?

Um abraço.

André Renato disse...

Adoraria ver "Casablanca" na tela grande! Nunca tive essa oportunidade... Abraços!

pseudo-autor disse...

Ah! a nostalgia que nos faz sonhar mesmo quando acordados. Casablanca faz parte de uma legião de filmes que nunca envelhecerá. Ficará em nossos corações e mentes para sempre. Uma salva de palmas a Michael Curtiz!!!

Discutir mídia e cultura (Meu outro blog):
http://robertoqueiroz.wordpress.com

Luiz disse...

André,

Eu também gostaria de ver não só Casablanca como outros clássicos no cinema. Por ficar procurando tudo relacionado a cinema eu acabei descobrindo a Moviemobz.com. Você já ouviu falar?
Se um pessoal se mobilizar é possível ver clássicos no cinema.

Fica a dica: visite.

Um abraço.

Carol. disse...

Ahh Casablanca!
Qualquer hora é hora pra rever esse clássico, o qual possui a sutileza que falta na grande parte das obras cinematográficas de hoje.
A sintonia de um roteiro impecável, excelentes atuações, um enredo incrível e trilha sonora marcante deixa claro o porquê de Casablanca ser uma obra imortal.
E sempre perco o chão ao som de 'as time goes by'...

André Renato disse...

Eu também perco o meu chão...