sábado, setembro 01, 2007

Simpsons, O Filme


Finalmente os Simpsons foram parar no cinema! Pena que o filme dos Simpsons não surpreenda... Quero dizer, nos episódios da TV, Homer já foi para o espaço, Montgomery Burns já roubou a luz do sol sobre Springfield, a família Simpson já aprontou no Japão, na Austrália e no Brasil, o casamento entre Homer e Marge já esteve ameaçado diversas vezes, Moad Flanders já morreu – e por culpa de Homer Simpson –, já vimos o futuro e o passado da família residente à Alameda Evergreen, a tia Selma já “saiu do armário”, enfim... Por isso, era de se esperar que a primeira incursão cinematográfica da série mais longeva da TV norte-americana e já um patrimônio da cultura pop mundial inventasse algo ainda mais (e muito mais) bombástico do que tudo o que já acontecera na telinha, para mostrar para todo mundo que os Simpsons “chegaram chegando” na tela grande.

Eu não vou aqui pensar no que seria esse algo “bombástico”, mas teria que ser absolutamente surpreendente. E essa coisa nova e surpreendente não precisaria necessariamente modificar qualquer conceito básico do seriado que, sempre o mesmo, faz sucesso há quase 20 anos. A expectativa era grande. A decepção foi equivalente. Após mais de 100 versões de um roteiro constantemente modificado (foi o que eu li em algum lugar), o filme é tão bom quanto um episódio mediano da TV (foi o que também li em algum lugar e concordo). Este filme, definitivamente, não faz par com os melhores e mais clássicos episódios da série, como, por exemplo, "Homer, o herege". Simpsons, o filme é mais do mesmo, segue as mesmas fórmulas básicas de um episódio básico, que a análise semiótica define e explica muito bem. Mas será que isso é realmente um problema?

Quem se interessar, cultive a idéia de que o caráter “low-profile” do filme não seja propriamente um defeito de roteiristas pouco imaginativos ou uma aposta na bilheteria certa de um público fiel que não seria lá muito dado a releituras fílmicas extravagantes de uma mitologia que eles tanto amam. Para isso, seja usado como argumento a apresentação da película, em que o próprio Homer Simpson (junto da família, vendo no cinema um filme de Comichão e Cocadinha), indignado, pergunta: para que pagar para se ver algo que pode ser visto de graça na TV? Começa então a apontar para os expectadores na sala de cinema, que estão sendo enganados pela “picaretagem” do filme, terminando por apontar para a câmera, ou seja, para nós mesmos... Nesse caso, o aspecto decepcionante (em termos do que há quase vinte anos se espera de uma fita dos Simpsons) e mesmo “comercial” do roteiro seria mais uma das sutis porém corrosivas auto-ironias, altamente sarcásticas e metalingüísticas, que fazem a melhor cara da série.

Será que os produtores e roteiristas teriam essa fineza de espírito? Juro que duvido... mas fica aí a dúvida.

Obs. 1: Apesar do conjunto negativo do filme, ele é dotado de algumas sacadas das melhores, como Bart escrevendo no quadro-negro “Eu não vou baixar ilegalmente este filme”, ou Homer e o seu “porco-aranha”.

Obs. 2: Sobre o caráter semiótico de Os Simpsons, veja-se o depoimento de Matt Groening (o criador) para o livro Os Simpsons e a Filosofia: “Muitos roteiristas talentosos trabalham no programa, metade dos quais vem de Harvard. E quando você estuda a semiótica de No País dos Espelhos, ou assiste a todos os episódios de Jornada nas Estrelas, tem que fazer isso compensar; por isso, você joga um monte de referências de seus estudos em qualquer coisa que fizer na vida.”

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